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AMERICA ESPANHOLA: COLONIZAÇÃO

Os espanhóis iniciaram a conquista das terras americanas pelas ilhas do Caribe, às quais deram os nomes de São Salvador e Hispaniola.

Observando os enfeites usados pelos indígenas que ali viviam, os espanhóis concluíram que havia ouro no local e obrigaram os indígenas a extraí-lo.

Esgotado o ouro das ilhas, eles partiram para a conquista do continente.

Hispaniola, atualmente Ilha de São Domingos, que é dividida em dois países: Haití e Rep. Dominicana.

San Salvador ou São Salvador, é um distrito e uma ilha das Bahamas.

A conquista das terras astecas

Em 1519, o oficial espanhol Hernán Cortez desembarcou com 508 soldados, além
de cavalos e canhões, nas terras onde hoje está o México.

Os indígenas provavelmente estranharam aqueles homens brancos, com roupas e armas de ferro, montados em seres estranhos (os astecas desconheciam o cavalo).

Os espanhóis, por sua vez, também devem ter estranhado os modos de viver, de se vestir e a língua dos astecas.

Passado o primeiro momento, os espanhóis descobriram que vários povos do Império Asteca estavam revoltados com a dominação asteca. Entre esses povos estavam os habitantes da cidade de Tlaxcala.

Os espanhóis aliaram-se então a esses povos e marcharam sobre Tenochtitlán, a capital do Império Asteca. Ajudados pelos tlaxcaltecas e por milhares de outros aliados indígenas, Cortez e seus soldados conquistaram Tenochtitlán em 1521, matando milhares de astecas, entre os quais seu imperador Montezuma.

Após a conquista de Tenochtitlán, Cortez instalou-se no palácio de Montezuma, e seus auxiliares ocuparam outros palácios mexicas.

Encontro de Hernan Cortes com Montezuma II em 1519

Império Asteca: nunca foi uma unidade política; era, na verdade, um conjunto de povos com diferentes graus de subordinação aos astecas. Alguns povos pagavam tributos a eles, mas tinham uma relativa autonomia. Outros eram governados pelos
astecas, e outros, ainda, só pagavam tributos à força, quando eram vítimas de expedições punitivas promovidas pelos astecas.

Hernan Cortes

A conquista das terras incas

A busca por riqueza e poder animou outro aventureiro espanhol, Francisco Pizarro, a organizar uma expedição com o objetivo de conquista. Seu alvo era o Império Inca, situado na Cordilheira dos Andes.

Acompanhado de apenas 180 homens, parte dos quais a cavalo, Pizarro partiu do Panamá e chegou à cidade inca de Tumbez. Depois, em 1532, conquistou a cidade de Cajamarca.

Então, instalou-se nessa cidade e convidou o inca Atahualpa para um encontro reservado.

Assim que Atahualpa chegou, Pizarro mandou prendê-lo e ordenou a seus soldados que atirassem nos incas de surpresa. Em seguida, os espanhóis partiram para a conquista de Cuzco, a mais importante cidade do Império Inca. Para isso, contaram com a ajuda de vários povos indígenas, inimigos dos incas, a exemplo dos wankas.

E, além disso, os espanhóis se aproveitaram, também, da divisão entre os próprios incas, motivada pelas disputas pelo trono entre os irmãos Atahualpa e Huáscar.

Depois de tomar Cuzco, em 1533, Pizarro fundou a Ciudad de los Reyes, atual Lima, e fez dela a capital do domínio espanhol na América andina.

Francisco Pizarro

A resistência inca

Os incas não se deram por vencidos e, liderados pelo imperador Manco Inca, abriram uma luta de vida ou morte contra os espanhóis, no sul do Peru. Veja o que um historiador diz sobre o assunto.

[…] Manco revoltou-se e, seguido por milhares de súditos, refugiou-se […] próximo da cidade sagrada de Machu Picchu, local inacessível e desconhecido dos espanhóis. 

[…] Manco fundou na região um novo império com todos os valores e tradições do
antigo. Restabeleceu a antiga religião, o culto ao Sol e ao Inca, numa atitude consciente de rechaço ao cristianismo […]

A resistência indígena também se manifestou no cotidiano através de formas […] de continuidade cultural. A mais conhecida delas aflorou no âmbito religioso, em que vários nativos fingiam adorar o Deus cristão, mas permaneciam cultuando suas próprias divindades.

[…]Estas diversas formas de resistência – armadas ou culturais, individuais ou coletivas – reafirmam a ideia de que os indígenas não apenas sofreram a conquista, mas também foram agentes desse processo.

SCHMIDT, Benito Bisso. A Espanha e a América no final do século XV: o descobrimento e a conquista. In: WASSERMAN, Claudia (coord.). História da América Latina: cinco séculos (temas e problemas). Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2000. p. 36-37.

Túpac Amaru, o último líder da
resistência inca, foi preso e decapitado pelos espanhóis em
1572. No Peru, alguns estados
independentes só foram dominados depois de sua morte.

Um novo olhar sobre as razões da conquista espanhola

Cortez chegou ao México com apenas 508 homens e Pizarro entrou no Peru com 180 homens. Então, como que centenas de espanhóis conseguiram vencer milhões de nativos?

Essa é uma pergunta que sempre provocou a curiosidade dos historiadores. Segundo o historiador Matthew Restall, a conquista espanhola da América deveu-se a quatro fatores principais.

O primeiro e mais determinante foram as doenças trazidas pelos europeus e contra as quais os corpos indígenas não tinham resistência; essas doenças, como sarampo, varíola e gripe, mataram mais do que as armas de fogo. O sucessor de Montezuma foi uma dessas vítimas: reinou por apenas 80 dias e morreu de varíola.

O segundo fator foi que os espanhóis souberam aproveitar a desunião e a rivalidade entre os ameríndios. Tanto os astecas quanto os incas tinham muitos inimigos, que formaram verdadeiros exércitos indígenas para ajudar os espanhóis a tomar as terras astecas e incas. Para conquistar Tenochtitlán, por exemplo, Cortez contou com a ajuda do povo tlaxcalteca.

O terceiro fator foram as armas dos conquistadores, que tinham poder destrutivo superior às armas dos indígenas. Podemos destacar: a armadura de ferro e a espada de aço (resistência), o cavalo (mobilidade) e as armas de fogo, e que, no caso do canhão, impres-
sionavam também pelo barulho que faziam.

O quarto fator foi que os espanhóis sabiam muito mais sobre os astecas e os incas do que esses povos sobre os europeus. Os espanhóis procuraram se informar a respeito das discórdias e disputas entre os indígenas e estimularam a guerra entre eles, aliando-se a um dos grupos. Vencida a guerra, apossavam-se de tudo e submetiam, inclusive, seus aliados. Soma-se a isso o fato de os espanhóis usarem intérpretes e guias nativos ou náufragos para conhecer os pontos fracos de seus adversários.

Calcula-se que, na data da chegada de Colombo (1492), viviam na América cerca de 57 milhões de ameríndios. Em 1560, restavam apenas cerca de 10 milhões! Essa diminuição brusca da população ameríndia é considerada, pelo pesquisador Tzvetan
Todorov, uma das maiores tragédias da história humana.

No entanto, segundo o historiador Matthew Restall, a conquista espanhola da América não foi rápida nem total. A tomada de Tenochtitlán, em 1521, e de
Cuzco, em 1533, significou a conquista das capitais dos impérios asteca e inca, e não do território desses impérios como um todo. A expansão dos conquistadores espanhóis no território americano foi gradual e encontrou sérias resistências por parte dos indígenas.

Os maias, por exemplo, organizaram várias revoltas contra os espanhóis nas décadas que se seguiram à conquista da América.

Economia colonial

Durante o processo de conquista, os espanhóis iniciaram também a colonização da América, isto é, a ocupação, a exploração econômica e a administração do território americano.

A mineração

Com a descoberta das ricas minas de prata de Potosí (na atual Bolívia), em 1545, e em Zacatecas (no México atual), no ano seguinte, a mineração se transformou na atividade mais importante na América espanhola. Considerando as minas como suas propriedades, o rei da Espanha mandou distribuir lotes auríferos àqueles que tivessem dinheiro para iniciar sua exploração. Já o penoso trabalho de arrancar a prata do fundo das minas deveria ser feito pelos indígenas.

As duas principais formas de trabalho forçado na América espanhola foram a mita e a encomienda.

A mita era a obrigação que os membros das aldeias tinham de trabalhar para os espanhóis durante quatro meses por ano. Esses trabalhadores (os mitayos) recebiam por seu trabalho cerca de um terço do salário de um trabalhador livre daquela época.

A encomienda era o direito dado ao colono espanhol (encomendero) de explorar o trabalho indígena nas minas, plantações e fazendas por certo período. Em troca do direito sobre o trabalho indígena, o colono devia pagar tributos à metrópole espanhola e dar aos indígenas assistência material e religiosa, ou seja, alimentá-los e ensinar-lhes a religião católica. Mas os colonos quase nunca cumpriam sua parte: milhares de indígenas morreram por maus-tratos ou de fome e sem nada saber sobre o cristianismo. 

A agropecuária

Na América colonial espanhola, praticavam-se a agricultura e a pecuária em grandes propriedades, nas fazendas. Entre os principais produtos da agricultura estavam o cacau, a batata, o milho e o tabaco (nativos da América) e a cana-de-açúcar (introduzida na América pelos europeus).

Além disso, criavam-se gados de corte e de transporte (mulas e cavalos). No final do século XVIII, com o declínio da mineração, a agricultura e a pecuária se desenvolveram ainda mais; aumentou o número de fazendas que produziam gêneros como cacau, na Venezuela; açúcar e tabaco, em Santo Domingo e Cuba.

Os trabalhadores dessas fazendas eram, geralmente, africanos escravizados, trazidos para a América em grande número desde o século anterior. A grande fazenda escravista produtora de um gênero tropical, como o cacau, destinado ao mercado externo é chamada de plantation. 

O controle da colônia pela metrópole

-a Casa de Contratação: órgão encarregado de controlar o comércio e a navegação entre a Espanha e suas colônias americanas, que funcionava desde 1503, na cidade portuária de Sevilha, na Espanha. Os navios que faziam o comércio entre a Espanha e a América só podiam sair ou entrar por um único porto: Sevilha. E, na América, os únicos portos autorizados a comerciar com a Espanha eram: Havana (Cuba), Vera Cruz (México), Cartagena (Colômbia) e Porto Belo (Panamá). Por meio dessa política mercantilista, que restringia o comércio a alguns portos e visava aumentar o poder e a riqueza da monarquia espanhola, a Espanha obtinha lucros extraordinários. 

-o Conselho das Índias: órgão criado pela monarquia espanhola em 1524, para administrar suas colônias na América. O órgão era formado por um Conselho nomeado e dirigido pelo rei da Espanha. Seu poder era imenso: podia fazer leis, ministrar a justiça e nomear funcionários para as colônias e destituí-los. 

  

A administração espanhola

Inicialmente, o governo da Espanha transferiu a particulares, homens como Cortez e Pizarro, o direito de explorar e administrar as terras americanas. Esses homens, os adelantados (adiantados), recebiam dos reis da Espanha o poder político e militar na América, mas eram obrigados a enviar para a metrópole um quinto de toda a riqueza extraída e produzida nas áreas conquistadas por eles. 

Mais tarde, ao perceber que as riquezas americanas aumentavam, mas eram desviadas, a monarquia espanhola anulou o poder dos adelantados e aumentou o controle sobre suas colônias da América. Para isso, instituiu dois vice-reinados: o Vice-Reinado de Nova Espanha (1535), no atual México, e o Vice-Reinado do Peru (1542). Posteriormente, já no século XVIII, foram criados os de Nova Granada e do Rio da Prata. Para defender ascolônias de ataques de piratas, fato comum na época, o governo espanhol criou também quatro Capitanias Gerais: Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile, todas situadas em áreas estratégicas.

No território colonial, foram criadas as Câmaras Municipais. Chamadas na América de cabildos, eram encarregadas de administrar as cidades e fazer cumprir as leis do governo espanhol. Eram também responsáveis pela segurança. Os vereadores dessas câmaras eram quase sempre filhos de espanhóis nascidos na América, que mais tarde ficaram conhecidos como Criollos. 

 

Cabildo aberto de Buenos Aires

Sociedade e poder na América espanhola

As sociedades Hispano-americanas eram formadas basicamente por cinco grupos: chapetones, criollos, mestiços, indígenas e negros escravizados. 

-Chapetones: colonos nascidos na Espanha, também chamados de peninsulares; ocupavam os principais cargos políticos, militares e religiosos, e tinham enormes privilégios.

-Criollos: filhos de espanhóis nascidos na América. Eram ricos fazendeiros, donos de minas e grandes comerciantes. Não podiam ocupar altos cargos, exceto o de vereador nas Câmaras Municipais (cabildos). 

-Mestiços: filhos de espanhóis ou de criollos com indígenas ou africanas. Ocupavam funções de pouco prestígio, como pedreiros, carpinteiros, ferreiros e capatazes de fazenda. 

-Indígenas: constituíam a maioria da população e eram duramente explorados nas fazendas, nas tecelagens e nas minas. 

– Africanos escravizados: trabalhavam principalmente nas grandes plantações de cacau na Colômbia, Equador, Venezuela e Cuba. No início da colonização, o número de escravizados na América espanhola era pequeno. 

As sociedades coloniais Hispano-americanas eram formadas por uma minoria de brancos, com grande riqueza e poder; e uma maioria de indígenas, mestiços e africanos, que realizavam trabalho mal remunerado ou escravo. Além disso, indígenas, negros e mestiços eram discriminados pelas elites coloniais. Os mestiços, por exemplo, eram proibidos de circular com armas, jóias de ouro ou roupas de seda. 

Igreja Católica na colonização da América Espanhola:

Na América Espanhola, a Igreja Católica teve um papel central no processo de colonização, atuando como instrumento de controle social e cultural. Por meio da evangelização, missionários como os jesuítas, franciscanos e dominicanos buscaram converter os povos indígenas ao cristianismo, promovendo a assimilação de valores europeus e a destruição de práticas religiosas nativas. Um aspecto positivo dessa atuação foi a criação de missões e reduções que, em certos contextos, ofereceram proteção contra a exploração violenta por parte dos colonizadores. No entanto, a imposição religiosa também significou a perda de grande parte das culturas indígenas, resultando em etnocídio e na submissão espiritual dos povos originários à autoridade europeia.

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